Lembrei-me dia desses, de algumas viagens que fiz e, quando fui olhar as fotos, encontrei uma que me chamou bastante a atenção e que talvez na época em que foi tirada, tenha passado despercebida. A foto era fantástica, ainda mais para nós, que somos apaixonados pelos animais: um pingüim, curioso e encantado, contemplava a própria imagem refletida na água.
Talvez nesse momento você se pergunte, e o que tem demais nisso? Eu me olho no espelho todos os dias e não vejo nada demais. Pois é, é ai que eu pretendia chegar. Hoje em dia, estamos tão ocupados, tão preocupados em ganhar dinheiro, em resolver problemas, que não damos valor às coisas mais simples da vida, que muitas vezes são não só importantes, como também são fundamentais.
Nós, humanos, seres tão inteligentes, tão perfeitos, capazes de raciocinar, de fazer cálculos matemáticos inacreditáveis, capazes de julgar o certo e o errado, de adaptarmos a natureza a nós, ao invés de nos adaptarmos a ela, somos incapazes de olhar para o próprio reflexo e enxergar mais que um par de olhos, uma boca... Passamos rapidamente pelo espelho, vemos se o cabelo está arrumado, se a maquiagem está boa, e só... Não vemos nossas vitórias, tampouco nossos erros, não percebemos que estamos envelhecendo mais a cada dia e, enquanto o tempo passa, deixamos as coisas simples de lado, até percebermos o quanto eram importantes.
Já os animais, que consideramos irracionais, inferiores a raça humana, fazem com a perfeição característica da natureza, o que é tão raro para nós, passam longos e preciosos minutos olhando para seu próprio reflexo , analisando, observando... Enquanto isso, nós nos tornamos cada vez mais cegos, a ponto de enxergarmos apenas aquilo que nossos olhos podem ver.
Ana Carolina Costa - T. 1103
Esse texto não passa de uma constatação de fatos. Antigamente, tudo era mais devagar, desde a circulação de informações até a circulação de pessoas. Hoje, parece que não há tempo para fazer nada. Você para um segundo e pensa: Porque eu faço tantas coisas? Será que é somente por orgulho? É claro que não. O mundo exige isso de você. E isso já começa jovem, na nossa idade, onde posso afirmar que temos meios para termos tudo o que quisermos, mas será que temos o tempo necessário para usufruir até mesmo das tarefas mais chatas? Adultos entao, nao tem tempo nem para respirar, trabalham das 7 da manha ate 8 da noite e nos fins de semana tem que estudar, cuidar de filhos etc...
ResponderExcluirPor isso eu daria a mesma dica que a Ana deu com seu texto; pare, olhe para o espelho, fique alguns minutos lá, e veja quem você é.
"Enquanto isso, nós nos tornamos cada vez mais cegos, a ponto de enxergarmos apenas aquilo que nossos olhos podem ver" - ótima observação!
ResponderExcluirAna, me arrepiei com sua última frase. Ela resume tudo. Tudo que andei sentindo, pensando. Percebi o quanto o conhecimento abriu meus olhos para o mundo do qual antes fugia. Estou ainda me familiarizando com a cruel REALIDADE à nossa volta. Tentando compreender o individualismo que nos cerca, e a inércia que nos prende à ausência de cidadania. Até agora, sua frase sintetiza MUITO.
ResponderExcluirNós estamos nos cegando até sermos capazes somente de enxergar o superficial, o fútil, o fato. Tomamos o que nossos olhos veem como verdade absoluta, e esquecemos que temos que ENXERGAR, e não só ver. E enxergar vai muito além dos nossos olhos.
Temos que perceber, sentir, refletir, QUESTIONAR.
Temos que ver além do que é mostrado. Escutar, cheirar, provar, sentir, olhar, tocar, respirar, viver.
E sem nunca, perder a sensibilidade, afinal, o que seria dos olhos sem o cérebro? O que seriam das cores sem a luz?
Olhar o outro é muito mais fácil que se parece. Difícil mesmo é olhar, ENCARAR nossos próprios monstros,admitir que erramos e CONCERTAR isso. Mudar nunca é tarde, e nada é impossível de mudar.
Basta percebermos que é de folha em folha que se tem uma floresta. De dedo em dedo que se tem uma mão. De sorriso em sorriso que se cria a felicidade. De passo a passo que se alcança.
Sim, é isso. É exatamente isso que acontece todos os dias com todas as pessoas em todos os momentos, e é disso que tentamos fugir, e mesmo assim, é disso que poucas vezes somos capazes de escapar: nossa própria cegueira. Nossa mesmo, porque pelo que me parece, não tem essência o suficiente dentro de nós para conseguirmos fugir do que a sociedade nos faz.
ResponderExcluirAna, o texto está lindo.