sexta-feira, 14 de outubro de 2011

GERAÇÃO DOS ESQUECIDOS



Luz. Sol. As mesmas pessoas passam por esta rua.
E todos os dias, estou aqui. Mas sou invisível.
Ninguém vê. Ninguém se importa.

Noite. Escuridão. Trevas. Ainda estou aqui.
Fujo dos meus sonhos.
Só me trazem as memórias que deveriam ser perdidas.

Não tenho metas, motivos, sonhos.
Perdi o que tinha, perdi o amor.
O mundo perdeu a razão.

Dizem que vivemos num mundo melhor.
Onde está esse mundo que não vejo?
Talvez em outra rua, em outra esquina desolada,
Outro como eu pense o mesmo.
Todas as ruas desta cidade, são iguais para mim.

Porque é tão difícil encontrar alguém que se importe, alguém que saiba ver?
Enquanto se torna tão fácil encontrar a repulsa emaranhada nos olhares?

Há outros como eu. Perdidos nas ruas do desespero.
Sem nada. Sem pertencer a lugar algum.
Dormindo nas esquinas das ruas. Perdendo a razão e o motivo para crer.
Mas ninguém vê. Ninguém se importa.


Manuela Vieira - T. 1103

8 comentários:

  1. Lindo. O interessante, é que ele consegue apresentar dois problemas atuais, a desigualdade social e o individualismo. Estes estão presentes no nosso cotidiano, e estamos tão acostumados que lidamos com eles de forma natural, como se fosse aceitável, ver pessoas que são humanas quanto nós, vivendo em condições cruéis, sem casa, sem comida, sem família, e como se já não fosse absurdo, nós fazemos questão de piorar, e aceitamos, passamos por eles olhando pra frente, preocupados demais com o nosso trabalho, nossa família, e mais uma vez, não fazemos nada para mudar essa situação, nem sequer nos importamos. É absurdo, mas é a realidade de não raras pessoas.

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  2. É incrivel como a tristesa e a decepção de tal mundo que vivemos podem ser mostradas em palavras. Palavras que não só demonstram a indignação de apenas o autor, mas com certeza, a de vários leitores, que se lamentam e choram a dor dos esquecidos. Sejam destas palavras as minhas. E o que faremos? O que faremos se ninguém se importa? Abrir os olhos. Faze-los ver.

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  3. Perfeito!Você simplesmente disse tudo com : "o mundo perdeu a razão".Que se encaixa perfeitamente nos dias de hoje, um mundo de desigualdades, de injustiças, de pobreza. Para mudar isso ainda vai demorar muito tempo e ainda vai morrer muitos inocentes e esquecidos.Por um mundo melhor, para que essa situação a nossa volta mude, só depende da gente!

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  4. O pior de tudo isso, é o fato de que somos todos hipócritas. Somos todos hipócritas a partir do momento que lamentamos e sentimos pena; e que percebemos que deveríamos lutar pela igualdade entre humanos, e que vemos a situação claramente à nossa frente, e mesmo assim, dormimos tranquilamente noite após noite. Optamos por reclamar e culpar o outro, como se a culpa também não fosse nossa, pois com nosso silêncio, consentimos. Aceitamos a realidade em que vivemos, pois, muitas vezes, esta realidade é um paradoxo da REALidade vivida pela maioria da população. É obviamente mais cômodo e tranquilo se entregar à vida individual, e deixar que ela "te leve". Porém, com uma enorme crítica aos que deixam que a vida os levem: porque não LEVAR suas vidas? Porque não usá-las para oferecer à outros, oportunidades que você possui?
    Será que estamos nesse mundo somente em busca da nossa individual felicidade?
    Porque, aposto que a criança que morre de fome antes de completar 2 anos de idade, também desejava a felicidade.

    Renata Gomes 1101

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  5. O problema maior é a normalidade com que passamos por essas pessoas nas ruas, parece que é algo já inserido na sociedade desde muito tempo, algo comum do cotidiano brasileiro. Mas não deveria ser assim. Isso não é correto, o mundo não vai melhorar se continuarmos achando tudo isso normal e achando que parados as coisas se acertam sozinhas. Pessoas continuarão nas ruas, crianças continuarão sem estudos, gente continuará morrendo nos hospitais esquecidos pelo governo... Nada se consertará sozinho. Precisamos reagir, todos nós.

    Giulia Zibetti - 1102

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  6. É inimaginávil o que se passa na cabeça dessas crianças que fazem parte da geração dos esquecidos, especialmente porque não fazemos nem sonhamos em fazer parte dela. Estamos confortáveis com nossas vidas privilegiadas.
    Porém, esse texto com certeza reflete perfeitamente o que eu pensaria se estivesse no lugar delas, toda a esperança que vai se esvaindo aos poucos a cada nova decepção.
    O pior é pensar que está é a realidade de bilhões de pessoas no mundo.

    Beatriz - T:1102

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  7. As pessoas passam todos os dias por aquela mesma rua e escolhem não ver a miséria e a desgraça alheias, pois assim não precisam se importar. A pobreza e a desigualdade são reflexos da ‘cegueira’ de nossa sociedade, que prefere esquecer aquilo que momentaneamente não a prejudica. Porém a mesma criança que um dia estava dormindo na rua, desprovida de cuidados básicos e sem a ajuda de ninguém, pode se tornar um traficante violento. Só então nos importamos, mais já é tarde demais.

    Bruna Lyrio 1103

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  8. Podemos analisar em nosso próprio bairro (Jardim Guanabara) cujo IDH é o terceiro melhor do município, que há um grande abismo social. Mesmo na rua Cambaúba, uma das mais movimentadas da Ilha do Governador, pode-se encontrar crianças na rua, pedindo comida e sem abrigo. Prova de que algo realmente tem que ser feito para modificar essa drástica situação.

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